sábado, 25 de julho de 2015

Endometriose, Fertilização in-vitro, Hidrossalpinge e Trombofilia – Parte IV

Esse site começou por uma dor, mas com o objetivo de levar conforto, prevenção e tratamento. 

Há um ano fui diagnosticada com Endometriose Profunda - estágio IV e de lá pra cá tem sido uma montanha russa de emoções, com exames, tratamentos, cirurgias e surpresas. 
Endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina. Seus sintomas principais são cólica menstrual e dor pélvica. É uma doença crônica. Estima-se que 10 a 14% das mulheres de 19 a 44 anos e 25 a 50% das mulheres inférteis estejam acometidas por esta doença. Fonte: Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia.

Segundo o meu médico, Dr. Rodrigo da Rosa Filho da Mater Prime, no Brasil são cerca de 6 milhões de mulheres com Endometriose. 

De uma forma bem resumida, esse um ano contemplou o diagnóstico, uma corrida para identificar o tratamento e a cirurgia em apenas 40 dias. Leia mais clicando nos links. Como acometeu o intestino, foram retirados 12 cm entre reto e sigmóide e tive uma recuperação um pouco mais lenta, cerca de 60 dias. 

Logo após esse processo, como ainda não tenho filhos, procurei um médico de reprodução por indicação do ginecologista que me operou. Encontrei o Dr. Rodrigo, Obstetra, Ginecologista e especialista em reprodução. Um médico jovem e com um consultório sempre cheio de casais e repleto de fotos de bebês que ele ajudou a conceber. Ele foi bem claro, no seu caso o tratamento é fertilização in-vitro. Estávamos no final de novembro e definimos que em janeiro faríamos o tratamento, dessa forma eu prepararia o corpo, tomando vitaminas e também me precavia para a endometriose não avançar, tomando anticoncepcionais. 

Foi aí que escrevi esse artigo da Endometriose, o Sistema Imunológico e a Alimentação.  Mudei meu estilo de vida, especialmente a alimentação, e meu corpo reagiu muito bem. 

Em janeiro deste ano fizemos a FIV, começando pela estimulação ovariana que se dá por meio de hormônios. Conseguimos 3 óvulos em tamanho adequado para a fertilização, apesar de usarmos diversos medicamentos. Conheço mulheres em minha faixa de idade, sem Endometriose, que tiveram em torno de 12 óvulos, mas paciência... Como diz o médico, é necessário apenas 1 óvulo para conseguir a gravidez. E foi assim que aconteceu, a fertilização deu certo. Porém durou apenas 6 semanas. O embrião parou de se desenvolver e tive um aborto retido. Não preciso dizer o quanto esse fato foi doloroso...

Por indicação do médico fizemos a curetagem para descobrir a causa do aborto. O resultado saiu após 65 dias e foi inconclusivo. Mais uma interrogação.

Como o investimento de uma FIV é alto, ainda que não fosse a indicação médica, definimos tentar o namoro programado (somente estimulação por hormônios com fecundação natural), até poder realizar a segunda tentativa de FIV. Para isso seria preciso realizar o exame das trompas, a Histerossalpingografia.

Histerossalpingografia, exemplos de resultados

Aproveitei para realizar o acompanhamento da Endometriose com uma RM da Pelve, que por orientação médica deve ocorrer a cada 6 meses. Era início de junho e fui ao Dr. Rodrigo para levar os resultados. Ele disse que teríamos que retirar a trompa esquerda pois havia sido detectado Hidrossalpinge - causada pela Endometriose -, que até poderia ser vista nos ultra-som que fizemos durante a FIV, mas deve ter acontecido no meio do processo. Deveríamos retirá-la antes de uma nova tentativa, pois foi possivelmente a causa do aborto. 
Hidrossalpinge é a presença de líquido no interior da trompa, a qual está obstruída por infecção, endometriose ou cirurgia prévia. Quando a infecção sobe pelo útero e atinge as trompas, ocorre uma destruição da camada interna das tubas, produzindo secreção, a qual é muito irritante para a cavidade abdominal. Como proteção do organismo, as fímbrias, que são a parte final das trompas, se fecham, esse líquido se acumula e forma a hidrossalpinge ou a piossalpinge. Fonte: Dr. Silval Zabaglia
Duas semanas mais tarde fizemos a cirurgia. Para nossa surpresa foi necessário retirar ambas as trompas, a direita também estava comprometida. Isso é natural, algumas situações não são esclarecidas por exames e no momento da videolaparoscopia os médicos precisam tomar decisões e e eu confio muito no trabalho do Rodrigo. A cirurgia serve também para limpar a Endometriose na pelve, que cria uma espécie de "teia de aranha" em volta dos órgãos, e que dificulta o funcionamento normal desses órgãos, uma das causas da infertilidade. 

Foto da cirurgia de Salpingo-ooforectomia.
Repare nessa capa quase transparente, causada pela Endometriose
 
Esse foi uma ocasião esclarecedora. Dr. Rodrigo Rosa e Dr. Waldir Filho conduziram a cirurgia e me trouxeram um novo horizonte da doença, inclusive com o vídeo da cirurgia, que me deu a oportunidade de ver como eu estava. 

O grande problema da Endometriose é que ela atinge mulheres no período reprodutivo e a maioria delas ainda não teve filhos, é aí que começa o drama. Ao fazer uma videolaparoscopia você pode reduzir as chances de engravidar, especialmente se mexer nos ovários. Há muitas mulheres que perdem a chance de serem mães por falta de informação. Vejam que existem bons médicos, instruídos. Tudo custa muito dinheiro, mas é possível realizar boa parte pelo convênio.

Bom, cirurgia feita, recuperação rápida e já me preparando para a próxima FIV. Discuti com o médico sobre a Trombofilia, uma doença raríssima, causa de abortos repetidos. Definimos realizar mais esse exame antes da próxima tentativa para ficarmos mais seguros e não passar desnecessariamente por um novo trauma. Não era para ser tão complexo, mas... resultado positivo para Trombofilia. 
A Trombofilia é definida como a tendência à trombose nos vasos sanguíneos, decorrentes de alterações no sistema de coagulação do sangue. O sucesso gestacional depende de uma adequada circulação útero-placentária. Anormalidades nessa rede vascular se relacionam com várias patologias gestacionais, entre elas: abortos, óbito fetal, pré-eclampsia. Fonte: Dr. Ricardo Barini.

Trombofilia

Em meu caso a Trombofilia é hereditária, rara, apenas 0,2% da população possui essa alteração genética. Felizmente a Trombofilia é uma doença de tratamento viável e a gravidez tem uma taxa de sucesso de 90 a 94%, então mais uma vez seguimos com a esperança de ter uma FIV e uma gravidez bem-sucedida. 

Não sabemos o que o futuro nos reserva, mas quem é que sabe? Qual a nossa capacidade de controle sobre o que nos acontece? E porque achar que não deveria estar acontecendo conosco? Resolvi escrever esse artigo para ajudar outras mulheres a visualizarem as possibilidades para tratamento dessas doenças e a não se abalarem. Não se trata apenas de poder ou não gerar um filho, trata-se de entender que o que nos afeta tem algum motivo e é a nossa atitude perante esse fato que determinará nossa felicidade. 

Eu aprendi com um Mestre essa frase: “Entrego, Confio, Aceito e Agradeço”. Prof. Hermógenes mostra que quando temos a certeza de ter feito tudo ao nosso alcance devemos entregar ao universo, confiar nele, aceitar o que recebemos e agradecer pela oportunidade. É assim que vejo a vida, as coisas são como são e devemos ser gratos por ter a oportunidade de aprender e evoluir, diariamente.

Alimente-se de informação e faça o que puder, mas depois entregue, sem sofrer. 

Namaste!
Jana

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