terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Os 10 mandamentos do Sistema Imunológico, capítulo 2


"Se estivermos ingerindo alimentos saudáveis que incluem muitos fortalecedores do sistema imunológico, se estivermos lidando eficazmente com o estresse e mantendo uma vida equilibrada no trabalho e nos relacionamentos, os desvios esporádicos de nosso estilo de vida não nos afetarão muito. Mas se privarmos o nosso corpo do que ele precisa, numa base constante, estaremos correndo riscos."

Siga entendendo os impactos de suas ações em seu sistema imunológico por meio da estória de Steve. Ontem vimos como foi seu café da manhã e hoje veremos como será seu dia no trabalho. 

Se você perdeu a primeira parte, leia primeiro: Os 10 mandamentos do Sistema Imunológico, capítulo 1.



A poluição do ar e Sistema Imunológico de Steve 
Steve e Sally entram em seus carros e vão para o trabalho. No caminho, Steve deixa as crianças na escola. Assim que elas descem do carro, ele pega uma via expressa e entra no trânsito da hora de pico. Ele abre um pouco a janela do carro e respira o ar poluído, que em sua maior parte vem dos escapamentos dos carros, e é composto principalmente de monóxido de carbono, ozônio, cádmio, e outros metais pesados, todos eles produtos de radicais livres. 
O monóxido de carbono reduz a capacidade do sangue de transportar oxigênio, o que força o coração a trabalhar mais para levar o oxigênio às células. Algumas células sufocarão. O gás tóxico e outros poluentes também se acumularão no fluído dos tecidos, o que causará danos ao sistema imunológico, tornando-o menos capaz de lidar com vírus, bactérias e outras toxinas que poderão ser encontradas durante o dia. 
Assim em seu caminho para o trabalho Steve sofre mais um enfraquecimento do seu sistema imunológico. E ele enfrenta isso todos os dias.

O estresse e um encontro infeliz 
Steve quase não observa o trajeto que faz para o trabalho. Ele precisa pensar na entrega de vários projetos, o que pesa muito em sua mente. À medida em que ele vai imaginando várias possibilidades – muitas com resultados negativos – seu nível de estresse começa a crescer. 
O estresse causa muitas mudanças no corpo, inclusive alterações no comportamento da musculatura, na respiração, nos níveis hormonais, e na atividade das células imunológicas. Mas dentre as mudanças mais comuns causadas pelo estresse está a depressão da atividade das células imunológicas. Mas depressão da atividade das células mortíferas naturais e uma redução na atividade dos linfócitos T. O estresse torna as células mortíferas naturais e os linfócitos T menos ativos diante de um agente patogênico. Quando saudáveis, essas células se multiplicam rapidamente ao enfrentarem um desafio – como uma célula cancerosa, um vírus ou uma bactéria – e assim organizam um ataque mais vigoroso contra qualquer agressão ao corpo. 
Mas sob o estresse, especialmente o estresse crônico, as células mortíferas naturais e os linfócitos T não se multiplicam mais com tanta rapidez, e em condições extremas, podem até permanecerem inertes quando confrontadas com um antígeno. 

Como se a poluição e o estresse já não fossem ameaças suficientes, a frente do carro de Steve é cortada por outro carro que entra violentamente na sua faixa, ao sair da via expressa. A raiva de Steve aciona outra explosão de reações químicas em seu corpo. As batidas cardíacas e a pressão sanguínea disparam. Suas glândulas adernais expelem adrenalina, a respiração se acelera, o fígado secreta glicogênio na corrente sanguínea, tudo para aumentar as reservas de energia. As células de gordura liberam seu conteúdo na corrente sanguínea como resultado desse fluxo de adrenalina; apesar de tudo isso produzir mais energia, seu efeito global é a sobrecarga do sistema imunológico, forçando os macrófagos a deglutirem essas partículas de gordura. O estresse também causa um impacto direto nas células imunológicas. 
A menos que Steve seja um monge Zen budista treinado, essas reações são inevitáveis; o estresse e a raiva são reações normais a situações de pressão e de ameaça. Assim, no momento em que Steve entra na vaga do estacionamento do edifício de seu escritório, seu sistema imunológico já está um pouco mais fraco. 
Steve corre para dentro do prédio em direção às portas dos elevadores, que estão prestes a se fecharem. Uma pessoa atenciosa segura as portas, e Steve entra no elevador lotado. “Muito obrigado”, diz ele à pessoa que segurou as portas.

Mal as palavras saíram da sua boca, uma outra pessoa ao seu lado espirra diretamente sobre o seu rosto. Infelizmente essa pessoa é tuberculosa. Involuntariamente Steve inspira o ar infectado. Ele não sabe, mas foi exposto à Tuberculose. 
 De volta ao escritório 
Quando chega ao escritório, Steve toma mais café, mantendo assim elevados os seus níveis de adrenalina. Neste momento as coisas não parecem muito boas para Steve, mas ele está pretendendo mudá-las. 
Ao contrário da viagem no carro quando sua mente estava concentrada no lado obscuro das questões que o pressionavam, Steve pode agora enfrentar seus problemas e usar a sua competência para conseguir controlar uma situação de desafio. Ele começa a trabalhar. A pesquisa nos mostra que Steve pode fazer muitas coisas para fortalecer suas funções imunológicas ao longo do resto do dia. 
Ele não precisa ser vítima das dificuldades, ao invés disso ele pode reagir. Primeiro Steve delega várias tarefas e pede ajuda aos seus colaboradores para a resolução dos seus problemas mais prementes. Isso dispersa imediatamente uma parte da pressão que ele sente e alivia o seu estresse. Ele começa a se sentir apoiado e conectado à sua comunidade de trabalho. Esses sentimentos de conexão e apoio aliviam o seu estresse e fortalecem a sua imunidade. O alívio do estresse faz com que os linfócitos T e os macrófagos se tornem menos inertes e reajam melhor às ameaças ao sistema, inclusive a invasores bacterianos, como a TB. 


Além da sensação de apoio, Steve sente que tem mais controle sobre o seu ambiente e sobre a fonte de seu estresse. Isso provoca um grande impacto em sua sensação de bem estar e seu sistema imunológico. Estudos em animais e alguns humanos demonstraram uma redução significativa das funções do sistema imunológico e uma maior suscetibilidade a infecções em sujeitos que estão sofrendo de estresse crônico. No entanto, quando os animais de laboratório e os seres humanos experimentam uma sensação de controle sobre situações estressantes ou encaram a adversidade como um desafio, os efeitos prejudiciais do estresse se neutralizam. As células mortíferas naturais e os linfócitos T são diretamente afetados e reagem melhor. 
Como Steve não se rende a seus problemas, seus esforços são compensados através de uma elevação na sua resposta imunológica. Alguns estudos demonstraram que mulheres com diagnósticos positivos para o câncer, e que enfrentaram com espírito de luta, tinham índices de sobrevivência bem maiores, depois de cinco a dez anos, do que aquelas que se sentiram indefesas ou que aceitaram estoicamente a doença. A razão provável é uma resposta imunológica mais forte diante do desafio. 
Na hora do almoço Steve faz uma pausa, e a marmita que ele trouxe está na sua bandeja quente. Ele trouxe arroz integral com algumas sementes de girassol espalhadas por cima, uma xícara de legumes verdes cozidos misturados com vinagre temperado, sobras de batatas, uma laranja e uma maça. 

Os antioxidantes e o Sistema Imunológico de Steve 
O almoço de Steve contém vários nutrientes que fortalecerão seus sistema imunológico. E dentre os maios poderosos desses fortalecedores estão alguns compostos dos alimentos, chamados de antioxidantes. Eles ajudam a evitar o efeito devastador provocado pelos radicais livres. Os antioxidantes fornecem elétrons aos átomos, às células e tecidos, e com isso estabilizam ou interrompem a degeneração. Também chamados de varredores dos radicais livres, eles promovem igualmente a atividade das células imunológicas. 
Os três antioxidantes são as vitaminas C, E e o beta-caroteno, a fonte vegetal de vitamina A. O selênio, a vitamina B e a glutatione também são importantes. O almoço de Steve é rico em todos esses antióxidos. Em primeiro lugar, o arroz integral e as sementes são boas fontes da vitamina E e glutatione. Ambos são poderosos “varredores” de radicais livres, e ambos fortalecem as funções das células imunológicas.

Os legumes e a laranja fornecem vitamina C, um dos mais poderosos antioxidantes e fortalecedores do sistema imunológico no suprimento alimentar. Ela é particularmente boa protetora contra doenças do coração, porque evita a queda do colesterol e a eventual formação de placas ateroscleróticas. 
As verduras de folhas verdes e a maçã do almoço de Steve contém bastante beta-caroteno, que bloqueia a degeneração de células e tecidos causada pela formação de radicais livres. Ele aumenta o número de vários tipos de células imunológicas e as torna mais potentes contra as doenças, inclusive contra as células do câncer. 
Finalmente o arroz integral e as sementes são boas fontes de zinco, um mineral que fortalece poderosamente o sistema imunológico. O zinco evita todas as formas de infecção e promove a produção de células B, que por seu lado produzem os anticorpos que atacam os antígenos. 
O almoço de Steve contém outros nutrientes, como complexos de carboidratos para fornecer energia, fibras para uma digestão saudável, o que influencia toda a sua saúde de forma positiva. Além disso, Steve consome porções generosas desses nutrientes, o que quer dizer que o efeito em sua saúde será significativo. 
E o que é importante também nesse tipo de almoço composto de grãos, legumes e frutas – é que ele é habitual para Steve. Nos dias em que não traz o seu almoço, ele vai a um restaurante próximo e come um sanduíche de pão integral, uma salada e legumes frescos refogados; e também compra um pedaço de fruta de uma banca na rua. 
Steve descobriu o que muitos americanos já sabiam há algum tempo: O alimento saudável é bem mais fácil de se conseguir do que muitas pessoas acreditam. Num restaurante chinês ele poderá pedir o arroz integral, legumes refogados e laranjas. Em locais que servem lanches rápidos, ele poderá pedir uma grande salada e um pãozinho de trigo integral, no qual poderá colocar as verduras de salada para fazer um sanduíche “vegetal”. Poderá também pedir um copo de suco de laranja e uma maça. Num restaurante japonês ali perto, Steve poderá pedir uma sopa de “missô” - que contém uma substância fitoquímica chamada “genistein”, do qual se descobriu através de pesquisas, que pode interromper o crescimento de tumores -, arroz, legumes, macarrão e outros pratos saudáveis. 

Steve ama a comida italiana, especialmente as massas e o molho à marinara, um prato com pouco gordura e rico em vitamina C e outros nutrientes. Junto com a refeição, ele como uma salada de verduras cheia de antioxidantes e fibras. 
Steve aprendeu que existem muitas opções, e ele está constantemente tendo novas idéias. Assim a cada dia ele vai construindo suas reservas de importantes vitaminas e minerais. 


Amanhã você verá o final da estória de Steve e na 5a e 6a os 10 mandamentos do Sistema Imunológico.

Tenha um excelente e bem alimentado dia!


Alimento e Você
@alimentoevoce
facebook.com/alimentoevoce


Fonte: Os 10 Mandamentos do Sistema Imunológico. 2 edição – São Paulo: Editora Ground, 2008. Copyright 1998 Elinor Levy e Tom Monte. Elinor Levy possui PhD em biofísica e fez treinamento de pós-doutorado em pesquisas sobre Aids e o vírus HIV e ensina imunologia na Escola de Medicina da Universidade de Boston. Tom Monte é pesquisador em ciência e saúde e autor de Best-sellers sobre medicina e câncer. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário