quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Vai começar o desafio!

No próximo dia 7, domingo, iniciaremos o Desafio Meat Free Monday no Brasil.

Quando teve acesso ao relatório da ONU de 2006, "O lado sombrio da criação dos animais", Paul McCartney ficou chocado em saber que a indústria da carne contribui para as transformações climáticas mais que todas as indústrias de transporte juntas.

Conversando com autoridades ele percebeu que uma forma de ajudar seria tirar a carne um dia por semana contribuindo significativamente para um planeta mais saudável.

Paul McCartney e família criaram assim, em 2009, o movimento Meat Free Monday - Segunda Sem Carne - que já ganhou o mundo e Alimento e Você lança esse desafio para você::: tirar a carne do prato uma vez por semana, às segundas-feiras.

Aqui no Brasil o movimento é muito bem sucedido em redes de escolas de alguns estados e também em organizações e restaurantes, mas ainda é regionalizado. O Segunda Sem Carne pode e deve crescer, somos um país muito grande e nossa contribuição para o planeta fará que seja um lugar melhor para se viver. Afinal, por que você acha que anda faltando água?!...

Algumas pesquisas, citadas no livro de receitas do movimento, apontam que:

« entre 1961 e 2007 a população mundial aumentou 2,2 vezes enquanto o consumo de carne quadruplicou »

« para produzir um hambúrguer de 147g são necessários 2.400 litros de água, o que equivale a um banho de chuveiro de 4 horas »

« se a pesca inofensiva não se reduzir, já em 2048  não teremos mais peixes »

« 50g de carne processada por dia aumenta o risco de doenças coronárias em 42% e de diabetes em 19% »

« se deixarmos de consumir carne e seus derivados ao menos um dia por semana, substituindo-os por verduras e legumes, a emissão anual individual de poluentes diminuiria o equivalente à emissão de um carro numa viagem de 1.800 km»

« o metano é produzido pela fermentação entérica, o arroto e os gases intestinais das vacas, ovelhas e cabras. É  21 vezes mais potente que o CO2 e permanece na atmosfera por 9 a 14 anos. »

« o dióxido nitroso é produzido pelo estrume dos animais, principalmente dos porcos é 310 x mais potente que o CO2 e permanece na atomosfera por até 114 anos. »

Então vamos lá? 


Veja como: 

- Toda Segunda-Feira divulgamos 6 receitas com fotos para você passar o dia sem carne:
café da manhã, almoço para viagem, acompanhamento, almoço, jantar e sobremesa. 

Essas receitas serão preparadas em minha casa para um convidado, e ele é desafiado a preparar em casa na semana posterior. Você é desafiado também e envia as fotos do que preparou pra gente.

- Toda Sexta-Feira publicamos os resultados do nosso desafiado e de vocês de casa.

Na primeira semana nossos desafiados serão os amigos Reginaldo Fonseca, Nuno Quental e Lucie Boulanger. Reginaldo e Nuno são os diretores da Cia Paulista de Moda e como produtores de moda, viajam durante todo o ano para shoppings de todo o Brasil organizando desfiles das coleções. Lucie Boulanger é gerente de Marketing do Center Vale Shopping. Todos tem uma vida muito agitada, vamos ver se eles conseguem manter um dia sem carne, comendo na rua e cozinhando em casa pelo menos uma refeição também sem carne!

Estamos preparando um painel para colocar as fotos das receitas preparadas por você aí de casa e de quem recebermos aqui em casa, afinal serão 52 semanas de cozinha, diversão, alimentação saudável e amor. Não vamos perder a chance de tirar uma foto com nossos convidados!

Ah, o Meat Free Monday lá da UK fará a divulgação do que acontecer por aqui. Então sua foto pode rodar o mundo!




Deixo a música feita pelo Paul para tentar te convencer que não é difícil e o quanto é importante:

Meat Free Monday
It's a fun day
And it's happening all around the world

Think about the future
How the world would be
If we don't do something
We face calamity 

Think 'bout the gases
Melting whole the ice
Ocean level's rising
Better not think twice

Think of too much livestock
Warming up the land
Gotta think of answers
Gotta have a plan

Meat Free Monday
It's a fun day
And it's happening all around the world...



Vem pro desafio!

Jana e Daniel Favato


‘Meat Free Monday’ and the Meat Free Monday logo are registered trademarks and
their use here is not deemed to indicate any affiliation or endorsement of any third party 
or their products, services or opinions by the Meat Free Monday campaign.


terça-feira, 18 de novembro de 2014

Você Tem Fome De Quê?

Ingerimos muito mais que comida no nosso dia a dia. O que pensamos, ouvimos, vemos e inclusive o que falamos afeta todos os aspectos do nosso ser.


A começar pela comida, hoje comemos produtos. Você já ouviu falar no quinto gosto básico? Além do doce, salgado, amargo e azedo, o gosto Umami foi reconhecido e significa saboroso ou gostoso.

De fato o Umami foi descoberto longo tempo atrás pelo cientista Ikeda em Tóquio (1908) em alimentos naturais que continham glutamato, a partir da alga marinha kombu. Mais tarde Akira Kuninaka descobriu que o glutamato combinado com os ingredientes que possuem ribonucleotídeos, a intensidade de gosto resultante é maior do que a soma dos dois ingredientes separados. Esta sinergia explica harmonizações clássicas: japoneses fazem dashi com kombu e flocos de bonito seco, os chineses acrescentam alho-poró chinês e repolho na sopa de galinha, semelhante a sopa escocesa Cock a leekie, os italianos adicionam queijo parmesão no molho de tomate com cogumelos.  


A indústria de alimentos introduziu assim um produto com sabor similar o MSG, ou glutamaco monossódico.  Os irmãos Suzuki iniciaram a produção comercial de MSG em 1909 como AJI-NO-MOTO®, que significa "a essência do sabor" em japonês.

O MSG é uma grande ferramenta da indústria para nos atrair com produtos deliciosos e viciantes. Usam-no como um realçador de sabor porque arredonda a percepção total de outros gostos.


O problema é que 200 anos mais tarde o mesmo MSG utilizado pela indústria é o causador de diversas doenças da atualidade embora continue presente nos alimentos que compramos toda a semana no super. Faça um busca no Google do MSG e o teste em ratos para conhecer um pouco sobre o assunto.

Embora saibamos de parte desses fatores, continuamos muitas vezes sem pensar neles e passamos para uma realidade dura. Na atualidade não se trata mais somente do que você está comendo, mas do que está comendo você.

Acordamos com pressa, ficamos no trânsito, respondemos e-mail e telefonemas no caminho, chegamos em cima da hora dos compromissos e finalizamos o dia com a sensação de não ter feito o suficiente, quando não levamos trabalho pra casa.

Esse novo estilo de vida nos exige ficar sentados durante todo o dia em escritórios fechados, comendo muitas vezes junk food e sem fazer exercícios.

Queremos mais tempo, comer melhor, mais saúde, tomar a iniciativa e começar os exercícios físicos. Queremos ganhar mais, ter mais sucesso nos projetos, ter ascensão na carreira. Queremos aquela roupa, aquela bolsa, aquele relógio, aqueles acessórios, aquele sapato, aquele telefone. Queremos "o carro", a casa dos sonhos, trocar a TV por uma de led, ter TV a cabo, tirar as férias estilosas.

No final como não podemos ter ou resolver tudo que queremos, comemos.


Final de semana aquele churrasco, ou aquela feijoada, ou sair para jantar, ou aquela festa onde bebemos por horas seguidas... É nossa compensação para tudo que a vida moderna nos exige. Comer e comer!

A comida nunca compensará nossas frustrações, ansiedades, preocupações e tristezas. Por que nunca haverá comida suficiente para suprir nosso ego sempre ávido por mais.


E deixamos de ver que muitas calorias, a insuficiência de nutrientes na comida e o acúmulo dessas calorias nos leva a perder a saúde. Muitas doenças são invisíveis ou são evolutivas, só vamos descobri-las mais adiante.  

O problema está em nós e não lá fora. Temos que identificar e reduzir os pensamentos negativos, as falas ofensivas e nos relacionar com emoções que nos façam bem.  Acima de tudo, temos que tratar a alimentação como deve ser tratada, com a fonte da saúde do corpo que é nosso veículo para a vida e não como compensação das nossas emoções.

Devemos alimentar-nos porque nos faz sentir calmos, bem-dispostos e com energia.

Devemos sentir fome de nos contentar mais, nos desapegar um pouco e olhar mais pra dentro, onde está tudo que realmente precisamos. 

Esse movimento trará mais AMOR, que é a maior fome do mundo atual.



Boa semana com mais amor e menos fome!
Alimento e Você

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

por que cozinhar?

Por que justamente no momento da história que estamos abandonando a cozinha e delegando o preparo da alimentação à indústria de alimentos, passamos tanto tempo assistindo pessoas cozinharem na TV ou lendo livros sobre o tema?

Qual o gesto que uma pessoa comum poderia fazer para mudar o sistema alimentar, tornando-o mais sustentável e saudável? Como podemos ter compreensão mais profunda do mundo natural e do papel que nossa espécie desempenha nele?

Perguntas respondidas por Michael Pollan do New York Times, autor do livro "Cozinhar – A história natural da transformação", lançado no Brasil há poucos meses.


Segundo ele, o tempo gasto com preparo de alimentos lá nos states caiu para em média 27 minutos por dia, desde a década de 60. Menos tempo que levamos para assistir ao um programa de culinária na tv... Isso é o que milhões de pessoas fazem atualmente ao invés de cozinharem, inclusive aqui no Brasil.

Curioso esse interesse, pois não estamos buscando informações sobre como costurar ou lavar o carro. Cozinhar é diferente e de alguma forma não queremos nos livrar...


Os antropólogos dizem que “cozinhar nos define enquanto seres humanos – é o ato com o qual a cultura surge”, “Nenhum animal é um cozinheiro”. O ato de cozinhar, e não a fabricação de ferramentas ou a ingestão de carne ou mesmo a linguagem, veio nos diferenciar dos macacos e nos tornou humanos.

Por proporcionar aos nossos ancestrais uma dieta de maior densidade energética e de fácil digestão, permitiu que nossos cérebros crescessem e nos intestinos encolhessem. Alguns primatas gastam seis horas por dia mastigando.

Cozinhar assumiu assim parte do trabalho de mastigar e digerir, o que nos deu uma preciosa reserva de energia e fez com que empregássemos nosso tempo com outros propósitos, como criar uma cultura. Nos proporcionou a ocasião - o costume de comermos juntos num momento e num lugar determinados, nos tornando mais sociáveis e corteses.

bolo integral, com recheio de ameixas e cobertura de cacau

Mas o atual declínio do hábito de cozinhar, consequência da vida moderna que terceiriza essa atividade para as indústrias, gerou mais transformações. Muitas delas positivas como as mulheres que puderam ter uma carreira, bem como o acesso a diferentes culinárias a preços módicos. Outras nem tanto, como o preço que pagamos pela industrialização da alimentação, algo que só vem sendo sentido agora por nós. 

As grandes empresas não cozinham como as pessoas: tendem a usar muito mais sal, açúcar e gordura, além dos ingredientes químicos. Não é surpresa que o declínio do ato de cozinhar coincida com incidência da obesidade e de doenças crônicas. Em especial, esse declínio abalou a instituição da refeição compartilhada que é um dos fundamentos da vida em família. O lugar onde as crianças aprendem a arte da conversação e hábitos como repartir, ouvir, ceder a vez, administrar diferenças e discutir sem ofender.

massa integral feita em casa
A escolha por Cozinhar, no entanto, não é tão simplista assim. Passamos a semana entre pedir comida em casa, aquecer uma refeição pronta, aquecer um molho preparado e cozinhar uma pasta e mais raramente preparar uma refeição do zero, valendo-nos em quase todas as refeições de uma indústria de alimentos embalados disposta a fazer de tudo, que não aquecer e comer a comida.

Isso representa um problema para nossa saúde, nossas comunidades, nossa terra e especialmente para nossa conexão com o mundo. Quando vemos um alimento embalado não o vemos como algo que veio da natureza. Pensamos em uma mercadoria e acabamos por nos alimentar de imagem.

Cozinhar nos envolve numa rede de relacionamentos sociais e ecológicos com plantas, animais, solo, fazendeiros, micróbios dentro e fora do nosso corpo e naturalmente com as pessoas que se nutrem e se deliciam com a nossa comida. Cozinhar faz com que estabeleçamos conexões. 

tarte tartin de maça
Mas por que se preocupar? Talvez não represente um uso sensato de seu tempo. A divisão de trabalho proporcionou ao homem muitas bênçãos e é inegável que a especialização em áreas diversas seja uma força poderosa em termos sociais e econômicos.

Contudo, é também algo que nos deixa debilitados, estimula o desamparo, a dependência e a ignorância. Delegamos quase todos os nossos desejos e necessidades à especialistas e de alguma forma esquecemos a responsabilidade dos nossos atos do dia a dia e suas conseqüências no mundo real.

A poluição das hidroelétricas que mantém a tela do computador acessa, o duro trabalho braçal para colher frutas ou o sofrimento do porco que viveu e morreu para que você pudesse desfrutar do seu bacon. Oculta assim tudo que é feito em nosso benefício por outros especialistas.

Cozinhar é um antídoto para essa maneira de estar no mundo. Funciona como um lembrete diário da abundância da natureza, tornando visível muitas conexões que o supermercado e a substituição da refeição caseira conseguiram obscurecer.

massa com tomatinhos, abobrinha e lascas de parmesão

O “meio ambiente” começa a se situar menos “lá fora”.  Pois o que é a crise ambiental senão a crise no modo que vivemos? Pequenas decisões tomadas por todos nós dia a dia. Precisamos mudar a maneira como vivemos, como interagimos com a natureza em nossas cozinhas, jardins, casas e carros.

O fato de passar a cozinhar num mundo que tão poucos ainda são obrigados a fazê-lo, é declarar nossa independência dos grandes conglomerados que procuram organizar cada um dos momentos que passamos acordados e transformá-los em uma nova oportunidade para o consumo. E o exercício aumenta a autoconfiança e a liberdade, reduz nossa dependência e ignorância sobre a origem do que consumimos. Traz de volta o poder para as mãos de nossa comunidade, reconstruindo economias alimentares locais.

Não precisa ser todo dia, mas sempre que puder. Existe atividade menos egoísta, trabalho menos alienado, tempo menos desperdiçado do que aquele gasto preparando algo delicioso e nutritivo para quem você ama?

delicioso biscoito de aveia, linhaça, coco e ameixa
Em suas aventuras, conta também que os coreanos fazem uma distinção de “Sabor da língua” e “Sabor das mãos”. Sabor da língua é o fenômeno diretamente químico que acontece sempre que as moléculas tem contato com as papilas gustativas. Sabor que qualquer fabricante consegue. “Mc Donald´s tem sabor de língua”, exemplifica. Entretanto, o sabor das mãos oferece a inconfundível assinatura do indivíduo que a fez. Sabor das mãos é o sabor do amor.

Todo o texto até aqui escrito foi retirado do livro "Cozinhar, uma história natural da transformação", de Michael Pollan, em forma de síntese.


Então, cozinhe!

Jana Favato

terça-feira, 11 de novembro de 2014

comida da vovó

Comida da Vovó

Posted by  × 06/11/2014 at 16:45


*Por Jana Favato
Para escapar dos diversos males comprovadamente causados pela “alimentação moderna” a receita é resgatar a comida e os hábitos de nossas avós. Comida caseira e menos alimentos industrializados, simples assim!
Embora o passar do tempo tenha trazido maus hábitos, não podemos negar que tivemos alguns benefícios, como a chegada dos alimentos que nossas avós não utilizavam por aqui como a chia – o que facilita ainda mais nosso processo de escolha de uma alimentação mais nutritiva.
Embora o interesse pelo tema alimentação saudável seja crescente, para a maioria das pessoas a impressão que fica é que comer bem é caro.
Comece assim, diversos alimentos refinados do dia a dia podem ser substituídos pelo integral como o arroz, o açúcar e o trigo. Estudos vêm mostrando que o processo de refinamento, com a retirada de quase toda parte dos nutrientes essenciais para o bom funcionamento do organismo como as vitaminas, minerais e em especial as fibras presentes no alimento integral, o consumo em excesso de alimentos refinados favorecem o aumento do peso corporal e das carências de nutrientes elevando o risco para o surgimento de doenças.
Destaque maior para o açúcar refinado que além de não conter nutrientes rouba as já presentes no organismo, desmineralizando nosso sangue. Substitua-o pelo mascavo ou se conseguir, substitua ao máximo o açúcar pelo mel, que não é um açúcar, mas glicose, assimilável facilmente e fabricado pela natureza e não pelo homem. Rico em cálcio, ferro, fósforo, vitaminas A, BI e C.
Já que citamos a Chia, em apenas uma colher de sopa do alimento, é possível encontrar três vezes mais ferro do que no espinafre, cinco vezes o cálcio existente no leite, o dobro de potássio da banana, duas vezes mais proteína que qualquer outro grão ou semente e três vezes a quantidade de antioxidantes de blueberries. Melhora o intestino, o metabolismo, o sono, o humor e a quantidade de açúcares no sangue, só para citar alguns de seus benefícios.
Por menos que a vida moderna nos permita, ir para a cozinha fará grande bem para sua saúde e a qualidade de seu tempo em casa. Pois é isso que nossas avós faziam, elas viviam em um tempo em que se cuidava melhor uns dos outros, com carinho, dedicação e presença.
Com pequenas mudanças de hábitos encontramos grandes ganhos. Por isso a receita que deixo é bem simples, aquela que quase ninguém pensa em fazer. Pra você praticar esse cuidado consigo mesmo e começar bem o dia!

Mingau de Aveia com Coco e Mel
Mingau de Aveia 
Rende 2 porções

3 colheres sopa de aveia em flocos
1 copo de leite (ou 4 colheres de leite em pó)
2 colheres chá de coco em flocos (preferência fresco)
2 colheres chá de mel

Para cobertura
1 mamão papaia em pedaços ou 8 morangos picados
1 colher sopa de chia
2 colheres sopa iogurte natural (opcional)

Aqueça o leite e misture a aveia, o coco e o mel. Mexa e deixe cozinhar por aproximadamente

2 minutos, até engrossar. Desligue, coloque o mingau em uma tigela, cubra com os pedaços de frutas, jogue a chia por cima e se desejar complete com respingos de iogurte natural e um fio de mel. 

Namastê!

Jana Favato
Jana Favato
Yogini, vegetariana, mineira, casada, formada como administradora e ex-profissional de marketing, carreira que cursou em setores altamente competitivos durante 20 anos. Viveu recente transformação que lhe fez mudar o curso da vida e dedicar-se a difundir informação e promover projetos sobre a alimentação e sua crescente importância na vida moderna. Mora em Jundiaí-SP e é autora do blog janaetc.blogspot.com, onde ensaia sua nova atividade.
janafernandes@gmail.com

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

meat free monday | segunda sem carne

"quando li a reportagem "o lado sombrio da criação de animais", elaborada a partir de um relatório das nações unidas de 2006, chamou-me a atenção o fato de ela ser assinada por uma organização sem nenhum interesse oficial no vegetarianismo. a questão é que toda vez que surge alguma discussão sobre o consumo da carne, são comuns acusações de parcialidade ou defesa de interesses, mas eis que uma instituição em nada comprometida no assunto confirma que a indústria da carne contribui para as transformações climáticas muito mais que todas as indústrias de transporte juntas! fiquei chocado."

Paul McCartney, 2011 Meat Free Monday

a partir desse momento paul discutiu o tema com pessoas influentes e descobriu que se deixarmos de consumir carne e seus derivados ao menos um dia por semana, substituindo-os por verduras e legumes, a emissão anual individual de poluentes diminuiria o equivalente à emissão de um carro numa viagem de 1.800 km.  ele e sua família lançaram o movimento "meat free monday", em português, segunda sem carne.



mas qual é o elo entre a criação de animais e o ambiente? 

- entre 1961 e 2007 a população mundial aumentou 2,2 x enquanto o consumo de carne quadruplicou (1), sendo que o comércio de aves aumentou 10 vezes (2)

- o altíssimo número de animais envolvidos aumentou a emissão de gases do efeito estufa, que sobem na atmosfera dificultando a dissipação do calor do sol e causando o aquecimento global. culpados: dióxido de carbono, metano e óxido nitroso ::: metano é produzido pela fermentação entérica, ou seja, o arroto e os gases intestinais das vacas, ovelhas e cabras. enquanto o dióxido nitroso do estrume dos animais, principalmente dos porcos. nosso amigo dióxido de carbono, o CO2 se forma após o desmatamento e queima das florestas, transformadas em campo de cultivo de alimento para o gado. o metano é 21x mais potente que o CO2 e permanece na atmosfera por 9-14 anos, enquanto no dióxido nitroso é 310x mais potente ainda e permanece por até 114 anos. (3) 

olha o futuro dos seus filhos como vai ser... hum... isso tudo? não, tem mais:

- tem a água, aquela que falta em diversos lugares do mundo. para produzir um hambúrguer de 147g são necessários 2.400 litros de água, o que equivale a um banho de chuveiro de 4 horas! (4)

se eu tivesse escrito esse texto duas semanas atrás, garanto que as pessoas ficariam mais tocadas...

- se a pesca inofensiva não se reduzir, já em 2048 não teremos mais peixes (5)

- e tem mais, tem sua saúde. 50g de carne processada por dia aumenta o risco de doenças coronárias em 42% e de diabetes em 19% (6)

- tem ainda a economia no bolso e sem deixar de citar o cuidado com os animais, que são criados amontoados em baias sujas e estreitas.


"ah tá. é, o negócio é feio mesmo. mas eu não resisto a um bife suculento, a um hambúrguer com bacon", você poderia me dizer. okay, você está no seu direito, só não se esqueça que os recursos do planeta não são infinitos.

clipe do mfm lançado neste ano pelo paul mccartney


no brasil o movimento foi lançado pela sociedade vegetariana brasileira e a secretaria do verde e do meio ambiente de são paulo. hoje a campanha tem o apoio das prefeituras de são paulo, curitiba, niterói e osasco além de organizações, empresas, políticos e artistas. em são paulo capital já se conquistou a adoção da segunda sem carne nas escolas da rede pública.


bom, eu ganhei esse livro do marido beatlemaníaco que aproveitou a oportunidade para me ajudar na jornada vegetariana e ao mesmo tempo, como ele disse, me fazer gostar mais dos beatles, rss. funcionou! estamos lançando o

desafio meat free monday brazil



o livro lançado pelo paul e família tem receitas para as 52 semanas do ano, divididas pelas estações do ano. cada uma das 13 semanas da estação tem um cardápio de café da manhã, almoço para viagem, almoço, acompanhamento, jantar e sobremesa.



durante 1 ano cozinharemos um almoço de domingo para amigos e família e os desafiaremos a fazer um dia de refeições sem carne em casa.

pois bem, nossos desafiados provarão a receita do almoço, acompanhamento e sobremesa e terão o desafio de preparar em casa o café da manhã, o almoço para viagem e o jantar, no dia de sua escolha da semana posterior. vocês acompanharão pelo blog o antes, durante e depois do desafio de cada semana. 

não tem prêmio em dinheiro, mas você vai aparecer aqui como exemplo para inspirar outras pessoas a deixar de consumir a carne pelo menos um dia na semana e assim fazer algo para mudar esse quadro acima citado. 

e quem não puder vir a nossa casa em são paulo, terá aqui no blog as receitas da semana para tentar fazer. você poderá enviar dúvidas e as fotos do seu experimento que publico também! 

nosso primeiro desafio está agendado para 30 de novembro 2014, com nossos amigos Reginaldo Fonseca e Nuno Quental da Cia Paulista de Moda e a querida Lucie Boulanger, Gerente de Marketing do Shopping Center Vale. 

agende sua data! para os amigos de outros estados, venham passar o fim de semana conosco em jundiaí. é fácil chegar pelo aeroporto de viracopos, estamos há apenas 35km.

vem com a gente!
jana e favato



todo o conteúdo deste post foi retirado do livro segunda sem carne, meat free monday, 2011, editora melhoramentos. estudos citados no texto, constantes do livro:

(1) The Word of Six Billion, United Nations Department of Economic and Social Affairs, Population Division, 1999

(2) FAOSTAT online database: http://faostat.fao.org/default.aspx

(3) Steinfeld H et al, Livestock´s Long Shadow: Environmental Issues and Options, Food and Agriculture Organization of the United Nations, Roma 2006

(4) Hoeskstra AY and Chapagain AK, Water footprints of nations: Water use by peolpe as a function os their consumption pattern, Water Resource Managment, 2007, 21(1), pp.35-48

(5) Warm B et al, Impacts of Biodiversity Loss on Ocean Ecosystem Services, Science, 3 Novembro 2006. 314 (5800), pp. 787-790

(6) Hu FB et al, Dietary for intake and the risk coronary heart disease in women, NEJM, 1997, 337, p.1491



Meat Free Monday’ and the Meat Free Monday logo are registered trademarks and their use here is not deemed to indicate any affiliation or endorsement of any third party or their products, services or opinions by the Meat Free Monday campaign.

Segunda sem carne e seu logotipo são marcas registradas e seu uso aqui não serve para indicar qualquer afiliação ou endosso de terceiros ou seus produtos, serviços ou opiniões pela campanha Segunda Sem Carne.


terça-feira, 4 de novembro de 2014

o diário de uma vegetariana

uma denominação que sinto orgulho em receber.

embora pareça estar na contramão do mundo e ser constantemente questionada pelas pessoas ao redor dos porquês dessa decisão "tão radical", a sensação em privilegiar os vegetais na alimentação trouxe mudanças importantes em minha vida.

já sabemos que somos aquilo que comemos. diria até que somos tudo aquilo que ingerimos: alimento, emoções, pensamentos... o que poucos sabem é o que o alimento além de fonte de nutrientes para o corpo é um canal para ativar ou acalmar nossos ânimos. e os hormônios são a principal chave desse equilíbrio.

                                        imagem do site www.brazilazul.com.br

decidi me tornar vegetariana num momento de busca de saúde para o corpo. pensando em ser mãe e não tendo levado uma vida saudável até aí, comecei a me alimentar bem para a gravidez.

aos poucos fui conhecendo e entendendo o que comia, o que cada alimento causava no organismo e vendo que não comia uma série de delícias naturais e saudáveis. então o interesse só cresceu, até que cheguei aqui, mudando a vida como um todo devido à descoberta da importância da alimentação em nossa vida.

decidi deixar a atividade profissional que exercia e me dedico agora a levar informação sobre alimentação saudável a quem deseja recebê-la. estou inclusive mudando o título deste blog para "alimento e você" e lançando nas próximas semanas alguns projetos que ensaiam essa nova vida.

mudei também de cidade. agora diretamente de jundiaí, em são paulo. não retirarei, contudo, os posts que publiquei quando morava no vale do sol em minas gerais, pois suas mensagens terão sempre algo a acrescentar.

para começar a falar desse novo momento quero mostrar a vocês meu antes e depois.

uma foto do físico, pois, para muitos o que falarei não terá valor até que seja validado na prática - para aqueles tipo são tomé, ver pra crer.

    


é claro que quando iniciamos uma vida mais saudável modificamos muitos outros hábitos. uma coisa puxa a outra. o principal deles que posso citar é a retirada do álcool que tenho certeza fez diferença no físico, mas não tenho dúvidas que a dieta sem carne, ou seja, a base de vegetais e proteína animal, foi o que modificou a estrutura do corpo.

mais tarde nesse processo percebi que não estava apenas beneficiando meu corpo e minha saúde. na verdade o que mudou primeiro foi a sensibilidade. não comer nada que tenha "uma cara" e cuidar da natureza e do planeta, faz com que você tenha mais carinho com o ser humano.

o bem-estar é imensurável, não tem como colocar uma imagem para vocês validarem... mas quem tem convivido recentemente comigo já notou diferença. outro dia um grande amigo me disse que antes eu "carregava" muita coisa, que meu olhar está mais leve.


a mensagem que posso deixar é que não é tão simples assim mudar. nascemos comendo arroz-feijão-ovo-salada, feijoada, strogonofe, frango com quiabo... a mudança demanda aprender sobre alimentos que você não come e aprender a usá-los, ou seja, montar todo um novo cardápio.

mas o propósito dessa nova jornada não é tornar as pessoas vegetarianas.

vamos falar dos motivos que você deve pelo menos reduzir a carne em sua alimentação, assim como os industrializados, os processados e os refinados - especialmente o açúcar.

de forma leve, o blog levará informação de forma traduzida e direta sobre o benefício do alimento para o organismo e receitas com esse alimento.

a partir daí é contigo, pois niguém é igual. você verá que o que vale para mim não necessariamente vale para você.

então saúde e até ja!

jana